terça-feira, 24 de março de 2020

Dicas de livros



“Achamos que quando nos arrancam de nossas trilhas rotineiras tudo está perdido; mas é só então que começa algo novo e bom” (TOLSTÓI, 2017, posição 27383).

Em tempos de confinamento por conta do Corona Vírus, estou tentando intensificar minhas leituras, então vamos aos comentários sobre os livros interessantes dos últimos tempos:

A riqueza da vida simples - Gustavo Cerbasi

Já li vários livros do Gustavo Cerbasi e acho as reflexões dele muito ponderadas. Esse, lançado em 2019, se concentra bastante, como o nome diz, em refletir sobre a busca por um estilo de vida mais simples e mais de acordo com o que é realmente importante para nós ao invés do estilo que é comumente adotado pela sociedade como modelo de sucesso. O livro também apresenta alguns questionamentos para nos tirar da zona de conforto como por que não mudar, escolher outro modo de vida, outra casa, outras escolhas de consumo que caibam no nosso orçamento e estejam mais de acordo com o que podemos e queremos. 
Este ano estou tentando fazer um resgate colocando no centro da minha vida os objetivos financeiros e de consumo que são e sempre foram meus sonhos e eliminando ou reduzindo drasticamente o orçamento dedicado aquilo que não tem a ver com os sonhos principais (aqueles que realmente impactam na minha felicidade). É uma questão de rever prioridades, algo que acredito deve ser examinado de tempos em tempos. Então, a leitura do livro do Cerbasi teve tudo a ver com esse meu momento.


Guerra e Paz - Liev Tolstói

Tinha curiosidade sobre esse clássico da literatura mundial. Ele é enorme e posso dizer: vale a pena todo o tempo dedicado a sua leitura. É difícil explicar, mas Tolstói tem uma maneira única de escrever que eu nunca havia visto. Além de reflexões históricas interessantes, ele descreve cenas e personagens de uma maneira muito rica, é realmente como se conhecêssemos seus personagens, como se eles fossem reais. Obviamente um livro para quem gosta de ler. 
Acho que as descrições abaixo falam por si só:

Era evidente que agora ele só compreendia com dificuldade tudo o que era vivo; mas ao mesmo tempo sentia-se que ele não compreendia os vivos não porque estivesse privado das suas faculdades do entendimento, e sim porque compreendia outra coisa, algo que os vivos não compreendiam e não podiam compreender e que o absorvia por completo (TOLSTÓI, 2017, posição 24033).

A loucura de Pierre consistia em que ele não esperava, como antes, motivos pessoais, que ele chamava de virtudes, para amar as pessoas, mas o amor enchia completamente seu coração, e ele, ao amar as pessoas sem nenhum motivo, acabava encontrando motivos inquestionáveis para amar as pessoas (TOLSTÓI, 2017, posição 27538).


Referências:
TOLSTÓI, Liev. Guerra e Paz. Companhia das Letras: 2017, São Paulo. Ebook Kindle.



quarta-feira, 11 de março de 2020

Perguntas para se fazer antes de tomar decisões financeiras




Resolvi criar algumas perguntas para fazer antes de tomar decisões financeiras, sejam pequenas decisões cotidianas, sejam grandes decisões. Muito pertinente, pois temos que ter mais consciência sobre a forma que gastamos nosso dinheiro. Vamos a elas:

1. Isso tem impacto positivo na minha vida? Qual?
Refletir sobre o real impacto da decisão sobre a nossa vida e o nosso bem estar. Isso faz diferença realmente? Porque em alguns casos gastamos por gastar, sem pensar se aquilo contribui para nossa felicidade. 

2. Eu vou me arrepender de não ter feito/ido?
Aquele show imperdível, aquele convite irresistível, aquela tentação na forma de uma oportunidade aparentemente única de ter/fazer alguma coisa. Em primeiro lugar, será mesmo tão única? Em segundo, será que é mesmo assim tão importante? Às vezes é algo que até gostaríamos de ter/fazer, mas que não vale o seu custo, que não faz tanta diferença assim, que será logo esquecido sem um impacto. Deixar de fazer/ir talvez cause um pequeno desconforto no momento de dizer “não” mas quem sabe percebemos que nem é algo com o que verdadeiramente nos importamos.

3. Qual o custo financeiro e não financeiro da minha decisão?
O famoso “eu posso?” da tríade querer, precisar e poder. Eu posso arcar com o custo da minha decisão? De que modo essa decisão impacta as demais coisas que são importantes para mim? Às vezes temos a disponibilidade financeira de arcar com a decisão, mas temos que perceber que ela tem também um impacto sobre outras coisas que queremos tanto ou mais. Às vezes comprar/fazer algo significa não comprar/não fazer alguma outra coisa. Inclusive, pode significar se aposentar mais tarde ou ter menos no futuro. Estamos dispostos a arcar com isso e abrir mão de outras coisas? Ainda, qualquer decisão tem um custo de oportunidade, o custo do que deixamos de ter/fazer quando decidimos por um caminho. Qual é esse custo? Algumas decisões também envolvem tempo, seja mais tempo para cuidar de algo que compramos, seja menos tempo fazendo algo que gostamos, seja mais tempo em deslocamentos. Assim por diante.

Acho que pensar nessas questões me fez refletir mais sobre o que está no meu orçamento e para onde vai o meu dinheiro e questionar se algo que envolve dinheiro vale a pena. Me tornou mais crítica e me fez lembrar de quais são as minhas prioridades na vida, prioridades que eu já conhecia, mas que agora estão no papel central das minhas decisões.


Fonte da imagem: https://pixabay.com/pt/photos/quebra-cabe%C3%A7a-dinheiro-neg%C3%B3cios-2500328/

segunda-feira, 9 de março de 2020

Minimalismo: Coisas que eu não compro mais / não tenho mais



Pensar sobre coisas que não compramos mais e/ou que não temos mais é um exercício bem interessante. Principalmente porque percebi que é difícil pensar em coisas que não fazem mais parte da minha vida, simplesmente porque elas foram esquecidas, elas não são mais importantes e não fazem mais falta nenhuma. É um exercício de “puxar pela memória”. Adoro listas, então vamos a mais uma.
1. Esmalte: faz anos que não pinto mais as unhas. É muito tempo e energia envolvido e creio que os vidrinhos de esmalte são artigos bem poluentes e um lixo gerado desnecessário.
2. Bolsas grandes: desde que me mudei para perto do trabalho e carrego menos coisas todos os dias, passei a usar apenas bolsas menores. Para viajar utilizo uma mochila. Minimizei o tamanho da bolsa e a quantidade de coisas que carrego.
3. Sapatos baratos que machucam: instrumentos de tortura na forma de sapatos (e principalmente sapatilhas) não fazem mais parte da minha cesta de compras. Prefiro ter menos pares e apenas aqueles que eu gosto e posso usar sem maltratar meus pés.
4. Lençóis baratos que formam bolinhas: acho engraçado a forma como a maioria das pessoas se preocupa bastante com as roupas que usa mas muito pouco com as roupa de cama em que passa boa parte da vida. Utilizo apenas percal 180 fios que é fresco, macio e durável. 
5. Roupa preta: por uma questão de energia (pode chamar de superstição se quiser), eu prefiro não comprar mais roupas pretas. Já faz uns 4 anos desde que comprei a última. Ainda tenho umas três peças de roupa preta que eu gosto e não vou me desfazer, pois estão em boas condições, mas prefiro não comprar outras. Ao mesmo tempo, aumentei bastante a quantidade de roupas brancas que eu tenho e passei a adorar o branco! Agora, geralmente as roupas que mais me chamam atenção são brancas. Para o inverno gosto muito do cinza e do verde escuro.
6. Amaciante: não sinto necessidade, simples assim.
7. Livros físicos: tenho kindle desde 2013.
8. Microondas: quando me mudei, fiz questão de não comprar microondas. Na cozinha apenas fogão, geladeira, liquidificador e iogurteira. Quase 6 meses depois, não sinto absolutamente falta nenhuma do microondas. Acredito que tudo pode ser feito no fogão, exatamente como na época pré microondas e pré outros itens elétricos de cozinha.
9. Netflix: percebi que não gostava de um modo geral das séries exclusivas da Netflix e que muitos filmes que eu queria ver não estavam disponíveis do catálogo. Também por medida de economia, cancelei a assinatura quando me mudei. Não sinto falta. Tenho sky play graças a assinatura sky do meu pai na qual posso assistir séries da HBO (maior qualidade na minha opinião) e assisto vídeos no youtube quando quero me distrair. Netflix também drena bastante do nosso tempo (sem falar do tempo escolhendo o que assistir). 
10. Jaqueta de couro ou jeans: na adolescência amava uma jaqueta jeans surrada que eu tinha e há poucos anos atrás tinha duas jaquetas de couro vegetal que duraram pouco na minha opinião, mas agora não sinto mais vontade de usar esse tipo de roupa. Prefiro casacos de tecido, lã ou nylon (este quando quero algo bem quente).
11. Guarda roupa: quando me mudei não levei meu guarda-roupa e não comprei um novo. Tenho uma arara de roupas para os cabides, uma caixa organizadora, duas prateleiras no rack da tv e uma gaveta no criado-mudo para as roupas, é suficiente. É libertador ver o quarto com espaço livre, sem um móvel enorme.
12. Detergente para louça: uso sabão em barra. O motivo foi porque o detergente vem sempre em uma garrafinha plástica: lixo desnecessário. Ok, sei que ainda consumo muitos e muitos produtos excessivamente embalados, mas pelo menos esse eu eliminei.
13. Ferro e tábua de passar roupa: a não ser que seja para um evento realmente muito especial, eu não passo minhas roupas então não preciso de ferro e tábua. Quando extremamente necessário passar uma peça para um evento desses, pego emprestado com a minha mãe. Acho interessante essa ideia de não comprar o que usamos muito pouco, mas pedir emprestado. Por que não?
14. Bolacha (biscoito?) recheada: faz anos que não como nenhuma. Morar sozinha é providencial quando se trata de cortar alguns hábitos alimentares ruins, pois se eu não compro, não terá disponível em casa então é só não comprar.
15. Tv aberta: faz anos que não assisto a programação da tv aberta. Primeiro porque não me interesso pelos conteúdos e segundo porque acho o ritmo muito lento, muito enrolado.
16. Tapete: apenas mais uma coisa para acumular pó. Tenho apenas um na porta do lado de fora.
17. Pote plástico: ok, ainda tenho alguns de sorvete e açaí, mas prefiro utilizar potes de vidro, acho mais higiênico e durável.
18. Robe: cheguei a ter dois de cetim. Em casa acabava ficando com preguiça de usar e/ou achava desnecessário. Para viajar acabava não levando para não ocupar espaço na mala.
19. Pijama: ainda tenho um pijama curto que uso quando viajo. Prefiro usar uma roupa velhinha para dormir ao invés de comprar uma roupa para um único fim específico. No inverno, calça de moletom é a melhor roupa para ficar em casa quentinha e confortável.
20. Baladas (geralmente caras) com músicas que não me interessam: gosto bastante de sair, mas parei de ir em lugares geralmente com filas intermináveis e com entradas caras para ouvir músicas de estilos que não me agradam. Agora escolho muito bem os lugares que frequento e o quanto estou disposta a pagar por eles.
21. Shorts jeans: ainda tenho e uso, mas não compro mais. Acho que existem outras roupas mais confortáveis e que me deixam mais bonita do que shorts jeans. Não me desfiz dos dois que ainda tenho porque estão em ótimo estado.
22. Taxas bancárias: nem pensar. Faz anos que uso apenas bancos digitais e corretoras. Nem um centavo gasto com tarifas absurdas e pacotes de serviços.
23. Açúcar refinado: faço bolo com frequência então ainda uso açúcar, mas só compro o demerara agora. 
24. Instagram: na verdade nunca tive. Sempre me perguntam sobre o meu instagram e eu digo que não tenho, mas apesar de muita gente me perguntar, não tenho vontade de ter. Acho muita exposição. Ainda tenho Facebook, mas faz mais de um ano acho que não posto nada. É mais tempo para dedicar à atividades que verdadeiramente acrescentem algo, tempo para ler, para ouvir podcasts, para escrever, etc.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Ghosting




Ghosting é um termo em inglês usado para se referir a términos de relações (não necessariamente sérias) sem explicação. É quando a pessoa some e “deixa o outro no vácuo”. Parece que é cada vez mais comum nesse mundo de relações efêmeras. Na internet há muitos textos com histórias e análises do que já é considerado uma moda. Moda feia essa.
Como diz uma banda chamada Vespas Mandarinas - que eu descobri há pouco tempo - em sua música “Distraídos Venceremos”, “a gente grita porque às vezes o silêncio é mais ensurdecedor”. Ah aquele silêncio que não tem explicação, que nos tortura, que não sabemos se será ou não eterno. Um silêncio sem resposta, que não nos deixa entender, que gera apenas dúvidas. 
Pessoalmente já vivi isso algumas vezes. Tenho algumas dessas histórias que costumo brincar que eu nunca vou entender. Contei uma delas aqui. Dizem que a gente não pode insistir, que não adianta mostrar interesse, correr atrás. Concordo em partes apenas. Nesse mundo de pessoas desinteressadas, acho que vale a pena mostrar interesse, se abrir, tentar. Um mero “está tudo bem?” e “gostaria de conversar” ou qualquer coisa que represente o nosso grito para acabar com o silêncio ensurdecedor que me referi no parágrafo acima é uma abertura para que a outra parte tenha a chance de explicar seu afastamento caso queira. Caso o silêncio continue sendo a única resposta, nesse caso não há nada que se possa fazer. Quando nos importamos, inevitavelmente vai doer, mas também vai passar, como tudo na vida.
É tão fácil terminar uma história de uma forma bonita. Explicar seu afastamento, ainda que não haja uma explicação muito clara. Quem sabe um feedback ajude a outra pessoa a aprender e a ser uma versão melhor de si mesma ou gere uma reflexão.
E é tão fácil terminar uma história de uma forma feia como essa, com o ghosting. Às vezes é uma história que poderia ser uma lembrança bonita, ainda que tenha acabado, mas que quando termina dessa forma, com desinteresse, sem explicação, sem um fechamento claro, deixa apenas esse sabor amargo.
Comecei esse texto querendo falar do assunto, mas sem saber muito bem onde queria chegar. Não tenho pretensão de entender os casos de ghosting que vivenciei e muito menos de oferecer uma solução para essa prática. Tudo bem o vácuo quando é alguém que não conhecemos direito, que mal conversamos, que também não está nem aí. O problema mora quando é alguém que pretendemos ter na nossa vida, ainda que como amigo, como conhecido, como alguém com quem se viveu uma história, mas que simplesmente nos afasta sem explicação. Talvez escrever seja apenas uma forma de dizer que esse tal ghosting faz parte da vida, por mais difícil que seja entender.
Ainda acredito em viver histórias, em ser feliz com pessoas sinceras, em aprender com quem cruza o meu caminho. Meu receio é que a já citada banda Vespas Mandarinas esteja certa ao cantar em "Amor em tempos de cólera" que “Um amor que chega como um alarde amanhã se despede furtivo”.




terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Nada foi por acaso





Gosto dos encontros que a vida me proporciona. São partes interessantes das surpresas da vida: as pessoas extraordinárias que ela coloca em nosso caminho. Você foi um desses encontros inesperados e despretensiosos. É aquela pessoa que fala de ideias e de lugares ao invés de apenas falar de coisas e de pessoas com perguntas vazias e respostas lacônicas. Agradeço por encontrar uma dessas raras pessoas que muito me instiga e desperta minha curiosidade. Com suas ideias e histórias você prendeu a minha atenção de um modo que poucos conseguem. 
Seja criando piadas internas como nosso negócio clandestino e mafioso com alto potencial de retorno, seja desenvolvendo as nossas teorias sobre encontros e cantadas, dominamos as palavras de uma forma leve, descontraída e inteligente. Porque digo com certeza que não sou apenas eu que sou boa na arte das palavras, encontrei alguém a altura. Só precisava mesmo de um empurrãozinho para perguntar que horas eu durmo.
Amei a forma como a sua história é o exemplo vivo de muitas coisas em que eu acredito. Ela me mostrou o poder das escolhas e do nosso protagonismo diante da vida e também a forma perfeita e singular que os caminhos que percorremos tomam para nos levar aonde devemos estar e nos proporcionar as vivências que precisamos. É a vida paulatinamente encaixando suas pecinhas entre erros e acertos, encontros e desencontros, ilusões e sonhos. 
Agora, “escute garoto” eu percebi que nosso encontro meio que é descrito pela nossa banda favorita da vida. Afinal, aquele dia “o céu estava pesado, vinha chegando temporal” e o “tempo escorria dos dedos da nossa mão”, mas “quando o tempo fecha e o céu quer desabar” está tudo bem, “não faz a menor diferença, quando a gente pensa no que ainda pode ser”.
Começou bem antes na verdade, contigo me falando de músicas, de lugares, de impressões ao invés de seguir as “variações de um mesmo tema” que todos seguem e “me pedir explicação, o filme favorito, o time do coração”. Não é mesmo muito melhor tentar descobrir “afinal o que é rock’n’roll?”. Além de percebermos que “nós dois temos os mesmos defeitos” (ou seriam qualidades?) nós até criamos o “crime perfeito” e “que não deixa suspeitos”.
Quando saímos “pra conhecer a cidade”, pois estávamos “longe demais das capitais”, “sentados na mesa de um bar” “nós “vibramos em outra frequência” e não quisemos “fazer como todo mundo faz”. Ainda bem que eu não esqueci “as chaves, mas que cabeça a minha”, pois “teus lábios eram labirintos, que atraem os meus instintos mais sacanas”.
Eu “nunca faço o que eu não tô afim de fazer”, pois eu “já vivi tanta coisa” e “tenho tantas a viver”, mas te encontrar era algo que eu queria e “eu posso estar completamente enganada, eu posso estar correndo pro lado errado” mas “quando eu te vi, tive certeza de que não seria a última vez”, afinal “você que tem ideias tão modernas” me fez refletir  sobre “o que faz as pessoas parecerem tão iguais?” enquanto eu fitava “olhos iguais aos meus”. “Tenho muito mais dúvidas do que certezas”, mas naquele dia “eu só tinha você”.
No outro dia “eu acordei mais leve”, “procurei a noite na memória” e “a sombra do sorriso que eu deixei” quando te dei tchau.
“Façamos um trato, você desliga o telefone se eu ficar muito abstrata”?
Então “um dia desses, num desses encontros casuais, talvez a gente se encontre, talvez a gente encontre explicação”. Agora, “se tu quiseres saber quem eu sou”, “vá em frente, meu amigo”, “me diz como é que eu faço, me diz como é que eu posso te encontrar mais uma vez”.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Algo que aprendi em 2019



Uma das lições que aprendi em 2019 é que o silêncio às vezes é a melhor resposta.
Que batido, eu sei.
Sempre fui uma pessoa de palavras, talvez por isso goste tanto de escrever. Nunca fui de silêncios. Gosto de explicar pensamentos e sentimentos. Isso sempre foi importante para mim em relacionamentos interpessoais em que em geral sou adepta do “fala na cara” e do deixar claro minha forma de pensar.
Então 2019 me ensinou que com frequência existem coisas que não devem ser ditas ou que não precisam ser ditas ou que não valem a pena serem ditas. Principalmente que não valem a pena serem ditas. Existem sentimentos e ações que não valem a pena serem explicados, que às vezes um dar de ombros é a melhor forma de responder à altura quando o ouvinte não está interessado em escutar.
Com frequência responder com o silêncio quando não há nada para dizer, quando não existe interesse da outra parte em ouvir ou quando não se encontra um terreno fértil para semear ideias é mesmo o melhor a fazer, é uma forma de se resguardar, de manter intactos pensamentos que são apenas nossos e que uma vez espalhados ao vento não encontrariam nenhuma reciprocidade. 
Não dar tantas explicações também é uma boa forma de se preservar. O que gostamos, queremos e fazemos nos pertence, não precisamos dar explicações quando não queremos de fato dar explicações. Um mero sim ou não é suficiente na maioria dos casos, sem serem seguidos por uma justificativa.
Parece uma lição dura. Acho que é mesmo. No entanto, é uma lição importante. Evita explicações desnecessárias, evita alguns constrangimentos e evita frustrações por não obter as respostas esperadas ou por obter resposta nenhuma. Do mesmo modo, às vezes tudo que nos resta a fazer é dar as costas e ignorar, seguindo em frente.
É algo que quero colocar em prática cada vez mais em 2020.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Retrospectiva 2019





Fim de ano chega e a gente começa a fazer um balanço de como foi 2019...Acho que 2019 foi um baita ano para mim do ponto de vista pessoal e profissional. 
Foi um ano de descobrir que sorrisos abrem portas.
Foi um ano de descobrir que não importa qual seja o motivo de uma tristeza qualquer, ainda assim sorrir é a melhor resposta, pois quando sorrimos, a vida se abre para nós. E afinal de contas, por mais que exista uma tristeza rondando, existem ainda muitos motivos para ser grato e feliz.
Foi um ano de aprender algumas lições com pessoas que eu gostava muito e que me ensinaram algumas coisas de uma forma bem dura, uma forma que me magoou. Fica o aprendizado, sou grata mesmo que as lições tenham doído mais do que eu gostaria.
Foi um ano de aprender que as pessoas são como são, que não podemos querer delas mais do que elas são capazes de dar. Que as atitudes das pessoas mudam a forma como as vemos. E que isso tudo pode ser doloroso, mas é parte da vida e quando amadurecemos o suficiente, podemos conviver em paz com tudo isso.
Foi um ano de aprender que algumas coisas são como são, independente da nossa vontade. Que não vale a pena se preocupar com aquilo que não depende de nós, que só podemos oferecer o nosso melhor e torcer. A vida se encarrega do resto.
Foi um ano de conviver muito com a melhor companhia: a minha própria. De ler bons livros, de visitar lugares incríveis que eu nunca imaginei que conheceria e outros com os quais eu sempre sonhei, de cantar (quase sempre um ou dois versos na frente) e dançar (ridiculamente, claro) pela casa, de pagar os melhores micos, de fazer apenas o que eu tenho vontade de fazer e de não me obrigar a fazer nada que eu não quisesse. 
Foi um ano de liberdade e de independência. Um ano de olhar para trás e perceber que me tornei a pessoa que um dia eu disse que seria. E essa é uma das melhores sensações da vida, quando você tem orgulho da pessoa que é.
Que venha 2020, com um mundo inteiro para eu descobrir, com as boas surpresas da vida, com muitos aprendizados e que os ventos do destino me levem sempre pelos melhores caminhos.