terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Nada foi por acaso





Gosto dos encontros que a vida me proporciona. São partes interessantes das surpresas da vida: as pessoas extraordinárias que ela coloca em nosso caminho. Você foi um desses encontros inesperados e despretensiosos. É aquela pessoa que fala de ideias e de lugares ao invés de apenas falar de coisas e de pessoas com perguntas vazias e respostas lacônicas. Agradeço por encontrar uma dessas raras pessoas que muito me instiga e desperta minha curiosidade. Com suas ideias e histórias você prendeu a minha atenção de um modo que poucos conseguem. 
Seja criando piadas internas como nosso negócio clandestino e mafioso com alto potencial de retorno, seja desenvolvendo as nossas teorias sobre encontros e cantadas, dominamos as palavras de uma forma leve, descontraída e inteligente. Porque digo com certeza que não sou apenas eu que sou boa na arte das palavras, encontrei alguém a altura. Só precisava mesmo de um empurrãozinho para perguntar que horas eu durmo.
Amei a forma como a sua história é o exemplo vivo de muitas coisas em que eu acredito. Ela me mostrou o poder das escolhas e do nosso protagonismo diante da vida e também a forma perfeita e singular que os caminhos que percorremos tomam para nos levar aonde devemos estar e nos proporcionar as vivências que precisamos. É a vida paulatinamente encaixando suas pecinhas entre erros e acertos, encontros e desencontros, ilusões e sonhos. 
Agora, “escute garoto” eu percebi que nosso encontro meio que é descrito pela nossa banda favorita da vida. Afinal, aquele dia “o céu estava pesado, vinha chegando temporal” e o “tempo escorria dos dedos da nossa mão”, mas “quando o tempo fecha e o céu quer desabar” está tudo bem, “não faz a menor diferença, quando a gente pensa no que ainda pode ser”.
Começou bem antes na verdade, contigo me falando de músicas, de lugares, de impressões ao invés de seguir as “variações de um mesmo tema” que todos seguem e “me pedir explicação, o filme favorito, o time do coração”. Não é mesmo muito melhor tentar descobrir “afinal o que é rock’n’roll?”. Além de percebermos que “nós dois temos os mesmos defeitos” (ou seriam qualidades?) nós até criamos o “crime perfeito” e “que não deixa suspeitos”.
Quando saímos “pra conhecer a cidade”, pois estávamos “longe demais das capitais”, “sentados na mesa de um bar” “nós “vibramos em outra frequência” e não quisemos “fazer como todo mundo faz”. Ainda bem que eu não esqueci “as chaves, mas que cabeça a minha”, pois “teus lábios eram labirintos, que atraem os meus instintos mais sacanas”.
Eu “nunca faço o que eu não tô afim de fazer”, pois eu “já vivi tanta coisa” e “tenho tantas a viver”, mas te encontrar era algo que eu queria e “eu posso estar completamente enganada, eu posso estar correndo pro lado errado” mas “quando eu te vi, tive certeza de que não seria a última vez”, afinal “você que tem ideias tão modernas” me fez refletir  sobre “o que faz as pessoas parecerem tão iguais?” enquanto eu fitava “olhos iguais aos meus”. “Tenho muito mais dúvidas do que certezas”, mas naquele dia “eu só tinha você”.
No outro dia “eu acordei mais leve”, “procurei a noite na memória” e “a sombra do sorriso que eu deixei” quando te dei tchau.
“Façamos um trato, você desliga o telefone se eu ficar muito abstrata”?
Então “um dia desses, num desses encontros casuais, talvez a gente se encontre, talvez a gente encontre explicação”. Agora, “se tu quiseres saber quem eu sou”, “vá em frente, meu amigo”, “me diz como é que eu faço, me diz como é que eu posso te encontrar mais uma vez”.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Algo que aprendi em 2019



Uma das lições que aprendi em 2019 é que o silêncio às vezes é a melhor resposta.
Que batido, eu sei.
Sempre fui uma pessoa de palavras, talvez por isso goste tanto de escrever. Nunca fui de silêncios. Gosto de explicar pensamentos e sentimentos. Isso sempre foi importante para mim em relacionamentos interpessoais em que em geral sou adepta do “fala na cara” e do deixar claro minha forma de pensar.
Então 2019 me ensinou que com frequência existem coisas que não devem ser ditas ou que não precisam ser ditas ou que não valem a pena serem ditas. Principalmente que não valem a pena serem ditas. Existem sentimentos e ações que não valem a pena serem explicados, que às vezes um dar de ombros é a melhor forma de responder à altura quando o ouvinte não está interessado em escutar.
Com frequência responder com o silêncio quando não há nada para dizer, quando não existe interesse da outra parte em ouvir ou quando não se encontra um terreno fértil para semear ideias é mesmo o melhor a fazer, é uma forma de se resguardar, de manter intactos pensamentos que são apenas nossos e que uma vez espalhados ao vento não encontrariam nenhuma reciprocidade. 
Não dar tantas explicações também é uma boa forma de se preservar. O que gostamos, queremos e fazemos nos pertence, não precisamos dar explicações quando não queremos de fato dar explicações. Um mero sim ou não é suficiente na maioria dos casos, sem serem seguidos por uma justificativa.
Parece uma lição dura. Acho que é mesmo. No entanto, é uma lição importante. Evita explicações desnecessárias, evita alguns constrangimentos e evita frustrações por não obter as respostas esperadas ou por obter resposta nenhuma. Do mesmo modo, às vezes tudo que nos resta a fazer é dar as costas e ignorar, seguindo em frente.
É algo que quero colocar em prática cada vez mais em 2020.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Retrospectiva 2019





Fim de ano chega e a gente começa a fazer um balanço de como foi 2019...Acho que 2019 foi um baita ano para mim do ponto de vista pessoal e profissional. 
Foi um ano de descobrir que sorrisos abrem portas.
Foi um ano de descobrir que não importa qual seja o motivo de uma tristeza qualquer, ainda assim sorrir é a melhor resposta, pois quando sorrimos, a vida se abre para nós. E afinal de contas, por mais que exista uma tristeza rondando, existem ainda muitos motivos para ser grato e feliz.
Foi um ano de aprender algumas lições com pessoas que eu gostava muito e que me ensinaram algumas coisas de uma forma bem dura, uma forma que me magoou. Fica o aprendizado, sou grata mesmo que as lições tenham doído mais do que eu gostaria.
Foi um ano de aprender que as pessoas são como são, que não podemos querer delas mais do que elas são capazes de dar. Que as atitudes das pessoas mudam a forma como as vemos. E que isso tudo pode ser doloroso, mas é parte da vida e quando amadurecemos o suficiente, podemos conviver em paz com tudo isso.
Foi um ano de aprender que algumas coisas são como são, independente da nossa vontade. Que não vale a pena se preocupar com aquilo que não depende de nós, que só podemos oferecer o nosso melhor e torcer. A vida se encarrega do resto.
Foi um ano de conviver muito com a melhor companhia: a minha própria. De ler bons livros, de visitar lugares incríveis que eu nunca imaginei que conheceria e outros com os quais eu sempre sonhei, de cantar (quase sempre um ou dois versos na frente) e dançar (ridiculamente, claro) pela casa, de pagar os melhores micos, de fazer apenas o que eu tenho vontade de fazer e de não me obrigar a fazer nada que eu não quisesse. 
Foi um ano de liberdade e de independência. Um ano de olhar para trás e perceber que me tornei a pessoa que um dia eu disse que seria. E essa é uma das melhores sensações da vida, quando você tem orgulho da pessoa que é.
Que venha 2020, com um mundo inteiro para eu descobrir, com as boas surpresas da vida, com muitos aprendizados e que os ventos do destino me levem sempre pelos melhores caminhos.


quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Mudanças



“You can’t change the people around you, but you can change the people around you” de Joshua Fields Millburn ou, em português, você não pode mudar as pessoas a sua volta, mas você pode mudar as pessoas a sua volta. Já tinha ouvido essa frase do Joshua, um dos “The Minimalists”, mas essa semana essa frase me fez refletir mais. É um jogo de palavras bem interessante. Não podemos mudar a forma como as pessoas que estão à nossa volta são e pensam, mas podemos mudar as pessoas que estão à nossa volta.
Nunca acreditei nessa de substituir pessoas, às vezes, pessoas que gostamos ou que fizeram parte de nossa vida em algum momento não estão mais conosco por um motivo ou outro, mas não as substituímos simplesmente, nunca vamos substituir exatamente aquela pessoa, aquela relação, daquela maneira. Haverão apenas novas pessoas, novas relações, novas amizades. O tempo passado com aquelas outras pessoas que partiram, não voltam, não se repetem. De certa forma é o que escrevi aqui embora o foco do texto tenha sido outro
Por isso, nunca tinha visto tanto sentido naquela frase do Joshua Millburn. No entanto, agora entendi. Às vezes as pessoas a nossa volta pensam muito diferente de nós e não estão mais nos fazendo bem, não sentimos mais o mesmo prazer na companhia delas por um motivo ou outro, simplesmente não temos mais a mesma afinidade, os mesmos objetivos. Podemos gostar ainda dessas pessoas, mas não as queremos por perto do mesmo modo, queremos outras pessoas, pessoas que afinem mais. Não existe nada de errado então em procurar outras pessoas, com os mesmos interesses e valores. Não é uma substituição de pessoas, são apenas os ciclos da vida. Assim, agregamos experiências e aprendizados. 
Adoro observar essas coisas, são as engenhosidades da vida que sempre caminha para o nosso progresso. Então, porque não buscar pessoas que afinem conosco, que gostem do que gostamos e com quem nos sintamos de fato bem? A vida é muito curta para desperdiçar de outro modo.



Frases aleatórias dos “The Minimalists” aqui: https://minimalmaxims.com/





sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Quebra-cabeças




Sempre tinha vontade de montar aqueles quebra-cabeças grandes de mais de 500 peças. Agora finalmente tenho espaço de sobra em casa e adotei esse hobby. É uma atividade bem interessante, dá uma alegriazinha encontrar cada pecinha para encaixar. Ainda, é uma ótima atividade longe de telas, acho que descansa bastante a mente, especialmente nesse nosso mundo hiper conectado. Recomendo muitíssimo.
Na vida, assim como em um puzzle, se precisa fazer força para encaixar, é porque não está certo, porque ali não é o local correto. É bom aprender isso.
Andei pesquisando e encontrei grupos no Facebook de pessoas que montam, existe uma galera mesmo! Queria encontrar mais gente por perto para poder trocar, pois não tenho essa gana de enquadrar os quebra-cabeças depois de montar.

Fonte da imagem: https://pixabay.com/pt/photos/sarago%C3%A7a-espanha-puzzle-cidade-2945335/

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Alguém com quem fazer humor




Esse texto escrevi para uma pessoa que eu admiro muito pela forma simples e descontraída como encara a vida. Aprendo muito com essa pessoa e considero esta uma das minhas histórias mais bonitas. Infelizmente, sempre estamos em momentos diferentes da vida. Também sempre fazemos escolhas de vida diferentes. São as peças que a vida nos prega de vez em quando.
Essa pessoa sabe bem o porquê do título, é mais uma das muitas piadas internas e referências que temos. =) 


A gente tem história para caramba. Histórias e piadas internas e uma lista de “white people problems” e de cantadas e situações engraçadas. Esse negócio de rondar unicórnios gigantes multicoloridos, passear por livrarias, pegar Uber com motoristas mulheres e ser confundidos um com o outro está escrevendo a nossa história de um jeito bem engraçado.
Confesso que te ver de novo me fez te observar com um olhar completamente diferente. Tempo e maturidade fazem muito bem a qualquer um. Disso eu já sabia. Porque começamos a ver as coisas por outra perspectiva. É engraçado como as coisas mudam de perspectiva com o passar do tempo. Talvez seja nós que passamos a enxergar as coisas com outra perspectiva. Não sei. Só sei que é incrível conseguir ver sob novos ângulos. É como um momento de lucidez em que sutilmente enxergamos coisas que não enxergávamos antes. 
Começamos a perceber o quanto de fato algumas pessoas são especiais para nós. Tu és daquelas pessoas que fazem bem. Nem preciso dizer que é impossível não ficar alegre contigo por perto. Isso eu também já sabia, mas comecei a perceber algumas sutilezas que eu não percebia antes. Talvez a vida tenha me deixado mais atenta e me ensinado a ver nas entrelinhas coisas que eu não via e dar valor a elas, talvez a saudade tenha te feito revelar melhor detalhes que me fazem pensar e especialmente que me fazem feliz.
Me pergunto porque fiquei tanto tempo sem te ver considerando que é tão deliciosamente fácil estar contigo e que estar contigo me deixa tão genuinamente contente. Parece que foi desperdício de tempo, mas eu tenho consciência que esse tempo era fundamental para nós. Tínhamos outras coisas para aprender, outras histórias para viver, outras pessoas para encontrar, outros caminhos para seguir. Afinal de contas, eu também precisava de tempo para assistir todos os filmes de super-heróis sozinha, sem spoilers.
Uma vez eu te falei que não esquecia o momento em que nos vimos pela primeira vez. Não esqueço mesmo teu jeitinho desconfiado olhando para mim. Agora outra boa memória se juntou a essa: o sorriso que te vi abrir quando eu te disse para me beijar pela segunda primeira vez. Foi a melhor reação que eu poderia ter recebido. Quero muito mais desses sorrisos.
Eu já fui muito magoada. Faz parte da vida, inclusive é uma parte importante. Só que isso me ensinou muito, muito mesmo. E espero sinceramente que tenha me ensinado a não magoar as pessoas bacanas que tornam a minha vida um lugar ainda melhor. 
Não te faço promessas, tu bem sabes meu modo de pensar (e incrivelmente sempre aceitou ele, nunca tentou me mudar e admiro isso em ti) mas dessa vez estou muito mais aberta às histórias que a vida reservar para nós e espero te oferecer toda a reciprocidade que tu merece.



segunda-feira, 11 de novembro de 2019

A vida como ela é



Esse texto escrevi para uma pessoa que era especial. Infelizmente, ela não quis ler as minhas palavras. Isso me deixou triste, mas mesmo assim gosto muito do que escrevi, eu estava feliz na ocasião. Publicar é uma forma bonita de deixar essa história no passado.

Sabe aquela música que diz “é uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer”?
Você era a minha ideia que existia na cabeça e não tinha a menor pretensão de acontecer.
Até que aconteceu. Justo no melhor momento da minha vida, na fase mais feliz que eu já vivi até então. 
A vida é realmente assim. Quando nos amamos  e estamos felizes, novas alegrias vêm para a nossa vida. Você com certeza é uma delas. E eu fico muito feliz de poder te oferecer a minha melhor versão, a mais lúcida sabe.
Lucidez. Está aí uma boa palavra. Ela que nos permite amadurecer, ser mais livres, independentes e mais felizes conosco mesmo. Entender melhor a vida, respeitar o tempo de cada um, o espaço de cada um, a história de cada um, pois não temos poder sobre o outro ou sobre a forma como a vida se desenrola. Somos donos apenas das nossas próprias escolhas. Esses devaneios são difíceis de explicar, só sei que é aquele momento bom da vida em que a felicidade vem de dentro por si só, mas que também é uma delícia ser feliz com as pessoas que estão por perto.
Tempo. Outra boa palavra. A gente se conhece faz o maior tempão né. Acho bem legal a forma como nós fomos ficando amigos com o tempo. Lembro daquela noite você dizendo que era questão de tempo que acontecesse. Pode ser. Eu sempre pensava que nossa troca de olhares não era uma troca de olhares comum, que tinha umas faíscas ali, que era também uma tentativa de desvendar um ao outro. Eu queria mesmo desvendar você.
Bem, eu quero dizer também que as vezes que cantei você na maior cara de pau e você ficou lá totalmente sem jeito era apenas eu tentando oferecer um pouco de graça e leveza. Não havia nenhuma expectativa além de te fazer rir e de mostrar meu lado aberto e divertido, que não tem medo nenhum de falar o que pensa e de correr alguns riscos. Você nunca me desconcertou com uma resposta para as minhas tiradas, mas tudo bem, a reação das pessoas não deve mudar a nossa forma de levar a vida. 
Não leve o que escrevi muito a sério, não é uma declaração, um bilhetinho romântico ou uma tentativa de te conquistar. Eu não busco nada disso, na vida, busco apenas aprendizados e vivências com pessoas que me encantem. O espírito das minhas palavras é apenas fazer uma ode à vida como ela é, à liberdade de ser quem somos e aos bons momentos que passamos.
=)