sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Balanço 10 dias morando sozinha




Definitivamente eu acho que morar sozinho(a) é algo que todo mundo deveria vivenciar pelo menos por algum tempo em algum momento da vida. É a melhor maneira de se conhecer de verdade, de entender quem de fato a gente é, o que a gente gosta. Ter privacidade, independência, não ter ninguém para implicar se eu não quiser arrumar a cama ou se eu quiser fazer barulho. Eu sinceramente não acho que seja solitário. Eu adoro ir dormir em silêncio, sem o barulho de outras pessoas e acordar da mesma forma.
Passo bastante tempo na cozinha. Gosto de colocar música no Spotify e preparar algo para comer. Não que eu seja chegada em cozinha (para falar a verdade não tenho talento nem paciência para preparar nada), mas mesmo preparar uma salada ou um bolo ou lavar a louça escutando a música, às vezes imaginando diálogos na minha cabeça, tem sido divertido. Eu não tenho mesa na cozinha. E também não tenho mesa na sala ou no quarto.  Então me sento para comer no banco que tenho na cozinha e fico ali, escutando a música e comendo, com calma, sem pressa. 
Eu também não tenho sofá. Não tenho guarda-roupa. Não tenho tapete. Não tenho microondas. Não tenho ferro e mesa de passar roupa. Não porque eu não possa comprar essas coisas, mas porque eu simplesmente decidi que eu não quero essas coisas. Uma das melhores partes é poder trazer para a minha casa apenas exatamente aquilo que faz sentido para mim. Essas decisões são fruto de uma reflexão consciente, são decisões que me poupam o esforço de muitas decisões no dia a dia porque tudo é mais simples e prático.
Adoro  sentar no chão para ler ou para fazer alguma coisa no computador e contemplar o espaço quase vazio a minha volta. Me deixa despreocupada. Além de ser fácil e rápido de limpar. E estou louca para que meus amigos venham se sentar no chão comigo para beber uma cerveja e jogar conversa fora. =)
E quase ia esquecendo de escrever sobre a cidade. Às vezes as pessoas me perguntam se estou gostando e fico meio sem saber o que dizer porque não tenho uma opinião formada. Me sinto um pouco em uma bolha porque não conheço muitas coisas e pessoas. Essa sensação de bolha não é inteiramente nova para mim então talvez não seja causada pelo lugar. O que posso dizer é que adoro não gastar quase nenhum tempo com transporte, essa é outra das melhores partes. Acho também que não é questão de gostar ou não gostar, é muito mais questão de vivenciar cada fase da vida, cada experiência porque cada uma delas é única e não volta nunca. Acho que estou exatamente onde deveria estar e essa é uma sensação um tanto quanto nova porque durante boa parte da vida tive a impressão de estar no lugar errado ou então queria estar em um lugar diferente. Agora, acho que estou no lugar exato em que deveria estar, pois ainda tenho o que aprender por aqui. Por quanto tempo? Não sei. Não importa, a vida tem dessas coisas, nos surpreende com os lugares também.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Tempo de mudança



Engraçado como uma coisa parece puxar a outra. Esses dias escrevi sobre a solidão e o estar sozinha, mas não de uma maneira pessimista, ao contrário, sobre a importância e a graça de aprender a se virar sozinho e a lidar consigo mesmo (aqui). Hoje estou preparando a mudança para ir morar sozinha. Parece que o momento certo da vida para morar pela primeira vez sozinha chegou. É uma experiência de vida que acredito seja muito importante para qualquer pessoa e que eu ainda precisava ter.
Estou ansiosa por essa nova fase da vida e percebo como é encantador o modo como tudo nos surpreende ao acontecer no momento certo. Quando escrevi aquele texto, não estava pensando em me mudar. A ideia já havia surgido outras vezes claro, mas sempre achava que ainda não era o momento. Então as coisas aconteceram: vi um apartamento perfeito, fiz muitos cálculos de gastos - o mais importante e o que as pessoas mais esquecem na hora de decidir sobre morar ou não sozinho - e decidi. A graça da vida.
Preciso desse momento agora. Passar algum tempo comigo mesma. Acho que combina com o que eu penso e acredito e me permitirá levar a vida mais a meu modo, fazendo tudo do jeito que tenha significado para mim.
Obviamente o minimalismo me acompanhará na nova jornada. Acho que foi muito bom ter alguns anos de amadurecimento à luz do minimalismo antes de estar pronta para mudar. A maneira como vou dispor do meu novo espaço estará de acordo com o que busco e quero para a minha vida. Nada daquelas coisas que trazemos para casa usualmente pensando: um dia eu vou usar, um dia eu posso precisar. O que estou aplicando é: se e quando surgir a necessidade, providenciamos, do contrário, não estará presente ocupando espaço, tempo e energia.
Tenho lido algumas coisas sobre a experiência de morar sozinha. Sempre é bom aprender com os erros e acertos das outras pessoas. Muito se fala sobre a sensação de solidão que morar sozinho muitas vezes trás. Eu mesma confesso que - um dia - já pensei que morar sozinho é um pouco triste. Me pergunte agora se eu tenho medo da solidão? Não preciso nem dizer que não. Vamos ver, estou curiosa para saber qual será a sensação, mas acho que emocionante é uma palavra melhor do que triste para descrever a sensação que tenho com essa ideia.
Por último e não menos importante, isso tudo tem muito a ver com perceber que eu me tornei a pessoa que eu gostaria de ser. Sabe aquele momento que você se dá conta de que se tornou a pessoa que sempre almejou ser? Que você está fazendo as coisas e agindo da maneira que sempre disse que faria um dia? Essa sou eu. Sendo coerente com minhas ideias.
E o que isso tem a ver com morar sozinha? 
Morar sozinha vai me permitir aplicar melhor aquilo em que acredito, simplificar minha vida, estar mais perto do trabalho, experimentar um lugar novo, ganhar tempo para dedicar ao que é importante, testar, aprender com os novos desafios que surgirem. Afinal, a vida não é estática e precisamos de mudança, de novos aprendizados, de novos ares.


Fonte da imagem: https://pixabay.com/pt/photos/bagagem-sacos-mala-brown-caso-1436515/


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Sobre a solidão




Tenho refletido a respeito da solidão e as formas de lidar com ela. Me parece que as pessoas de um modo geral estão pouco acostumadas a aceitar a solidão. Penso que é uma lição importante para a vida, pois evita problemas e desilusões e torna a velhice mais fácil.
Lembro bem que minha avó, mãe da minha mãe, agora já falecida, quando ficou viúva, não admitia de modo algum ficar sozinha em casa. Dormir sozinha então, nem se discutia. Levou anos até que ela finalmente conseguisse se acostumar a dormir sem a presença de outra pessoa. Nesse meio tempo, bastante transtorno causou para familiares e para ela mesma. Isso porque ela jamais havia dormido sem alguém da família sob o mesmo teto. Me parece absurdo, mas percebo que não é tão incomum pessoas adultas que nunca dormiram sozinhas. Sou grata por, ao menos, já ter me acostumado há muito tempo a dormir sozinha em casa.
Como a minha avó deveria ter aprendido antes, acho importante acostumar-se a estar só. Porque, no fim das contas, a única companhia que estará sempre presente é a nossa própria. É a única companhia que temos certeza de que teremos para sempre. Não adianta ter dez filhos, muitos amigos, uma família enorme, um marido dedicado, não há nenhuma garantia que qualquer uma dessas pessoas estará lá sempre. Ninguém sabe o que nos reserva o futuro. Então, nada melhor do que se preparar para enfrentar situações sozinho, ganhar independência. É um tipo de liberdade. Gosto por exemplo de ficar sozinha em casa e ter que cuidar de mim mesma. Viajar sozinha também me ensinou muito sobre isso (como escrevi aqui). Me ensinou que posso ir a qualquer lugar sozinha, que posso fazer qualquer coisa.
Aprender a se virar e a fazer as coisas sozinho é importante, mas o desafio mesmo é aprender a conviver consigo mesmo. Não apenas se virar sozinho e fazer o que precisa ser feito, mas fazer amizade com os próprios pensamentos. Sabe, aqueles pensamentos mais profundos que não conseguimos calar com música alta, com a tv ligada e nem mesmo com a companhia de outra pessoa. Aqueles que nos acompanham dia e noite, que fazem parte de nós e que não conseguimos controlar e que podemos até esconder de outras pessoas, mas não conseguimos esconder de nós mesmos. Chamo isso de aceitar quem somos. E acho que a melhor maneira de fazer isso é ouvindo nossa voz interior quando estamos sozinhos. E é desafiante lidar consigo mesmo, talvez até mais do que meramente aprender a se virar sozinho.
Aí que a aventura começa. Curtir o tempo de ócio consigo mesmo, aprendendo mais sobre si, escutando os pensamentos que não calam. Aceitar a solidão quando ela vem. 
Estar completamente só nesse mundo hiperconectado é difícil. Uma conversa com um amigo distante ou mesmo com um desconhecido está a alguns cliques de distância. Mesmo assim acho importante me conectar comigo mesma em um nível mais profundo. Curtir um tempo de folga apenas com meus próprios pensamentos, aprendendo mais sobre mim mesma. Desacelerar. Viver aquele dolce far niente com intenção.
Como muitas coisas na vida, é um pouco questão de prática. Por que não tentar de vez em quando?

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

O fluxo inexorável da vida





Sabe aquele apertinho no peito que dá quando pensamos em um momento do passado que nos dá saudade, mas que percebemos que nunca irá voltar? Que é parte do passado que ficou no passado, que não faz mais parte da nossa vida no presente e que não temos mais como reviver? Pois é. Ao mesmo tempo que é uma saudade que dói porque sabemos que é algo que não irá mais voltar, é uma sensação boa quando vemos que foi algo que nos fez bem, algo que fez parte da nossa vida por um tempo e foi importante. Só o que precisamos fazer é aceitar o fato de que esse tempo não vai mais voltar, não faz mais parte da vida. Só. Como se fosse fácil.
Não, não é fácil. Haja maturidade para se reconciliar com o fluxo inexorável da vida. Haja sabedoria para lidar com as lembranças, sentir saudade, mas deixar ir.
Agora tenho me pego pensando “poxa, vou sentir muita saudade disso um dia”. Os momentos que me fazem pensar isso nem são - ainda - parte do passado. São momentos que ainda fazem parte da minha vida, é o presente. No entanto, eu sei que a vida seguindo seu fluxo inexorável tratará de, no futuro, fazer esse presente ser passado. Ufa. Quantas idas e vindas no fluxo do tempo. 
Em seguida vem outro pensamento: “poxa, ainda bem que sei que vou sentir saudade disso um dia”. Porque aí é aquele momento de lucidez maravilhoso em que a gente percebe que aquela ocasião tem um valor inestimável e que precisamos aproveitar ao máximo e da melhor maneira, para lembrar o máximo possível quando essa experiência fizer parte do passado e deixar saudade. 
Acho que isso é viver com intenção.
Tudo a ver com se concentrar em uma coisa de cada vez. Especialmente quando estamos com pessoas e em lugares que gostamos. Aproveitar essas pessoas. Porque um dia essas pessoas talvez não façam mais parte da nossa vida, não necessariamente porque tenham morrido, mas apenas porque a vida segue seu curso e talvez no futuro estejamos vivendo experiências diferentes e separadas. O mesmo vale para os lugares. Por mais permanente que pareça a nossa vida, as coisas mudam e lugares que parecem eternos podem se tornar igualmente parte do passado. E lugares também deixam saudades.
Creio que essa consciência torna mais fácil o momento de se reconciliar com o fato de que aquela fase não vai mais voltar, quando chegar a hora. E deixar ir, com a certeza de que o futuro reserva novas experiências, novas pessoas, novos lugares, os mais perfeitos e necessários para nossa caminhada.


quinta-feira, 4 de julho de 2019

Um mês sem redes sociais




Já fazia muito tempo que eu queria fazer um detox de redes sociais. No meu caso, só utilizo Facebook (nunca me atraiu o modelo do Instagram, felizmente). Já havia lido os livros “Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais” de Jaron Lanier e “A geração superficial: o que a internet está fazendo com os nossos cérebros” de Nicholas Carr, esse segundo bem mais abrangente e impactante que me abriu os olhos para muitas coisas que eu já via percebendo, além de blogs que falavam desse detox tão necessário. Também tinha plena consciência de que perdia muito tempo rolando o feed do Facebook. Queria adquirir o hábito mais saudável de gastar esse tempo com coisas mais úteis. Já havia deletado outros apps que me faziam perder tempo sem benefício real (joguinho do Simpsons e Tinder). Queria viver mais a “vida real”.
Nessa esteira, “descurti” várias páginas que não agregavam e apaguei o app do Facebook do celular o que diminuiu o tempo que eu perdia, mas ainda não era o suficiente, pois muitas vezes acabava abrindo o Facebook no navegador do celular ou computador. Já havia percebido que isso era só um hábito ruim que fazia parte de um looping: tédio, pegar o celular, abrir o Facebook…
Então resolvi testar uma versão mais extrema: definitivamente não abrir o Facebook por um mês. Um trato comigo mesma com a promessa de que eu poderia aproveitar para escrever sobre isso. Qualquer coisa que gere uma boa pauta para escrever tem sido vista com bons olhos ultimamente. Foi a deixa perfeita.
No dia 04/06 resolvi que pelos próximos 30 dias não acessaria o Facebook. 
Vejamos o que aconteceu nesse mês…
Não nego que às vezes deu sim vontade de entrar no Facebook. Não tanto para rolar o feed sem pensar muito a respeito, mas mais para futricar algo específico que lembrava ou então para olhar uns memes. Nesses momentos eu tinha que repetir para mim mesma que eu não precisava futricar o que quer que estivesse com vontade de futricar porque não acrescentava nada à minha vida. A medida que os dias iam passando, a vontade arrefecia. Uns dez dias depois de parar, já não tinha vontade de acessar. Livre do looping e sem vontade de futricar ou perder tempo.
Confesso que a perspectiva de escrever sobre a experiência me animou bastante a continuar sem acessar. Escrever é mesmo terapêutico.
Aos poucos eu também ia pensando que não fazia diferença nenhuma eu saber as últimas novidades expostas no Facebook, afinal, além de não afetarem a minha vida, eu não tenho nenhum poder sobre as experiências e notícias divulgadas pelos meus contatos. Também comecei a pensar no quanto expor a minha vida ali é desnecessário e irrelevante. Tanto faz para as outras pessoas saber o que estou fazendo ou pensando, se a grande maioria delas não participa efetivamente da minha vida. Mais ainda, pouco importa para mim o que as outras pessoas pensam da minha vida. Não quero mais esse tipo de exposição que nada acrescenta, nem para um lado nem para o outro.
Comecei a questionar também os motivos de manter o Facebook. Eu sempre dizia que gostava de manter a conta porque era uma forma de manter contato, ou ao menos não perder totalmente de vista, aquelas pessoas que eu conheci, mas não tenho chance de conviver. Só que eu nunca de fato interajo com essas pessoas.  Nesse caso, que diferença faz? No máximo fico sabendo quando alguém casa ou tem filhos, isso quando a pessoa posta a respeito no Facebook. Me questiono então a relevância de manter esse tipo de contato. Não que eu não gostaria de falar mais com uma porção de pessoas que estão distantes, mas que eu considero pacas. Só que a ferramenta não está sendo efetiva no cumprimento desse objetivo, seja por preguiça, seja por falta de assunto, seja por falta de tempo. Então de que adianta? Não sei se algum tipo de ferramenta tecnológica é de fato efetiva nesse sentido. 
Com essa reflexão em mente e embalada por uma onda de saudosismo que surgiu um dia, lembrando de coisas boas do passado, pensando nos momentos que deixaram uma saudade boa e que na época que aconteceram - quando eram presente e não passado - eu nem poderia imaginar que um dia deixariam tanta saudade, no último final de semana, cinco dias antes de completar um mês, entrei no Facebook. Pode ser considerada uma recaída, mas não foi para rolar o feed e perder tempo. Foi porque realmente quis escrever para algumas pessoas com quem eu não falava há muito tempo. Enviei algumas mensagens, conversei com alguns amigos lembrando de coisas do passado e sabendo notícias e fiquei contente pelo meu saudosismo embora com aquele apertinho no peito típico de quem tem consciência do fluxo inexorável da vida. (Ei, poxa, preciso demais escrever sobre isso também!)
Não posso dizer que um milagre se operou na minha vida e, graças ao tempo que não desperdiço mais rolando feeds intermináveis, agora sou outra pessoa, pois li mais livros, me exercitei regularmente, dormi melhor e passei mais tempo com a minha família. Não, não vivenciei esse tipo de milagre e nem experimentei um mês de vida perfeita, ativa e produtiva. Li bons livros, assisti bons filmes e séries, tomei chimarrão com a minha família, andei de bike, fiz algumas festas, trabalhei bastante, cuidei dos cachorros de rua que eu alimento (um oi especial para o Cão e a Suka, meus companheirinhos) e dediquei algum tempo ao ócio. A diferença é que acho que me concentrei mais em cada uma dessas atividades. Procurei, a cada dia que passava, me dedicar mais de modo completo a atividade do momento, fosse qual fosse, sem buscar outras distrações. Apenas me concentrar no livro, no filme, no trabalho, no cachorro ou na pessoa que estivesse por perto. É um exercício constante esse. Depois de tantos anos sofrendo com distrações sempre disponíveis, fazendo várias coisas ao mesmo tempo, é um pouco estranho voltar a “fazer uma coisa só”. Exige um pouco de disciplina até. Vamos aos pouquinhos nos ajustando.
Não sei o que vou fazer com o Facebook após este mês, após constatar que de fato, não perdi nada e não mudou nada eu não ter acessado a rede. Ainda existem todos aqueles acessos a sites que fizemos com o login do Facebook. Ainda existem as pessoas que eu ainda quero contatar. Ainda existem algumas postagens antigas que eu gosto de relembrar. Acho que por enquanto vou deixar ele lá, quietinho, vendo se vai fazer falta em algum momento. Porque um mês é pouco tempo de desintoxicação. 
Acho que ficar um mês fazendo esse tipo de detox digital, ainda que parcial, é um ótimo exercício de disciplina também. Porque percebi que a maior parte do acesso a esse tipo de rede se dá pela força do hábito, nem paramos para analisar. Então, fazer alguns exercícios de disciplina que visem mudanças de hábitos salutares é muito interessante, até porque faz a gente se observar melhor, se conhecer melhor. Não posso deixar de comparar a mudança na alimentação que venho fazendo visando reduzir drasticamente a quantidade de doces ingerida (e sim, quero escrever sobre isso também): tudo é uma questão de se disciplinar a fazer ou não fazer algo e criar hábitos, preferencialmente aqueles que se sustentam com o tempo.
Buscando agora mais e melhores experiências sociais reais. Que realmente gerem memórias e impactem a minha vida.


terça-feira, 25 de junho de 2019

Livros, filmes e séries dos últimos tempos




Bora lá fazer uma espécie de diário de algumas coisinhas que tenho lido e assistido e que valeu a pena ultimamente.

Livros

Não conta lá em casa: Uma viagem pelos destinos mais polêmicos do mundo - André Fan
Eu nunca assisti o tal programa “Não conta lá em casa” sobre o qual o livro trata, mas curti muito o livro. Bem legal ler sobre uns países muito diferentes que provavelmente por questões de segurança eu não vou visitar, não tão cedo pelo menos. Algumas passagens são meio desnecessárias, o autor perde algum tempo com umas bobagens, e o estilo de escrita não é tão refinado a ponto de dar aquela emoção ao ler,  assim como não se aprofunda demais nos problemas dos países (acho que nem era esse o objetivo), mas ainda assim é um bom relato de viagens, bem leve, para ler sem muita pretensão. 



Morte Súbita - J. K. Rowling
Sabe aquele livro que te faz chorar? Pois é, fazia tempo que eu não encontrava um desses, mas Morte Súbita conseguiu. Ele passou anos parado no meu Kindle esperando para ser lido e eu acabava não iniciando nunca porque havia visto alguns comentários negativos sobre o livro, que era meio chato. Até que criei coragem porque estava querendo uma história diferente e de ficção. No início aparecem uma profusão de personagens e seus pensamentos e formas de lidar em relação a morte súbita de um personagem bastante envolvido na comunidade de Pagford onde a história se desenrola. Aos poucos vamos entendendo as relações entre todos esses personagens e no meio das picuinhas entre vizinhos, das brigas de casais e dos desentendimentos entre pais e filhos adolescentes, conseguimos refletir sobre o ser humano e as mutações que as relações humanas sofrem ao longo do tempo. O final é bem cruel na minha opinião, eu particularmente preferiria que ele tivesse sido diferente, mais otimista, mas entendi a crueldade e a tristeza dos acontecimentos finais do livro, afinal, como na vida, nem todas as histórias têm finais felizes e precisamos aprender a lidar com isso.



Robinson Crusoé - Daniel Defoe
Esse na verdade li mais para o início do ano, depois de ter deixado ele por anos na fila de leitura no kindle. Baita livro. Ele foi publicado originalmente em 1719! Nada menos do que 300 anos! E ainda não caiu no esquecimento. Óbvio que teria algum motivo para isso. Gosto de ler livros antigos, digo que sou muito antiga e tradicional no que se refere a livros. A história é ótima e não é nem um pouco enfadonho ler páginas e páginas sobre “um cara sozinho em uma ilha”, o ritmo da história é muito bom. Confesso que fiquei com um pouquinho de medo até em algumas passagens. 



Filmes

Mary Poppins
Adoro musicais! Mary Poppins é um daqueles musicais fofos, antigões (o filme é de 1964), que mesmo não sendo criança vale a pena assistir. Apesar de ser longo (mais de duas horas de duração), o filme passa bem rápido. Adorei os cenários antigos e bonitos e mesmo não entendendo quase nada de cinema, achei muito legal ver os efeitos que eles conseguiam fazer naquela época. Mesmo sendo velho, não é um daqueles filmes que a gente considera tosco hoje em dia, parece que é um filme atemporal. 



Séries

Big Little Lies - 2ª Temporada
Adorei a primeira temporada dessa série (escrevi sobre ela aqui) e fiquei contente que a segunda temporada finalmente tenha chegado. As atuações são impecáveis e é uma série que te faz pensar bastante. Ainda imprevisível sobre para onde a série vai caminhar.



Lúcifer - 4ª Temporada
Em geral não curto muito as produções da Netflix e achei que ela “estragaria” Lúcifer que é uma série que eu adoro. Para minha boa surpresa ela até que não estragou e a quarta temporada caminhou relativamente bem, embora eu ache que tenha se concentrado demais em alguns personagens secundários, mais do que no núcleo Lúcifer/Chloe. A temporada terminou dignamente e li que vai ter sim uma quinta e última temporada. Torcendo para que seja uma boa temporada com um final bacana. Sei lá, parece que tenho o hábito de não curtir os finais das séries. Acho que também arrastar séries interminavelmente não adianta nada (hello Grey’s Anatomy, que eu parei de acompanhar faz anos porque não aguentava mais os rumos que a série tomava e ela ainda continua existindo)  e se terminar bem na quinta temporada, já fico contente. 



Somebody feed Phill - 1ª e 2ª Temporadas
Comida e viagens em forma de série. Basicamente o tal Phill, que é um cara até bem engraçado e carismático, sai pelo mundo mostrando os locais e as comidas. Não tinha como não me interessar. O legal é que é um programa de comida que não mostra apenas comida, mostra bastante dos lugares e da cultura por onde o Phill passa. Também não é somente aquela comida fresca de restaurante de alta gastronomia que eu nunca vou ter acesso e que usa ingredientes inimagináveis. Ele mostra também comida simples, de “gente normal” e mercados dos lugares, assim como alguma comida de rua.



The Good Doctor - 1ª e 2ª Temporadas
Que grata descoberta! Eu estava há muito tempo (anos) sem assistir séries médicas procurando uma que fosse a minha cara depois de ter largado Grey’s Anatomy quando eu achei que a essência da série tinha se perdido e finalmente encontrei The Good Doctor para preencher esse vazio. Achei o personagem autista interpretado por Freddie Highmore muito fofo. Não sei quase nada a respeito do autismo então não sei o quão factível a série é, mas isso não importa, o que importa é que ela é tocante e ao mesmo tempo divertida e realmente torcemos pelo personagem. Só achei que a série tem um grupo muito limitado de personagens. Talvez por estar acostumada com Grey’s Anatomy e todos os núcleos de cirurgiões de diferentes áreas, achei que The Good Doctor é mais limitada nesse sentido, além de mostrar apenas um ou dois casos médicos por episódio. Mesmo assim, vale a pena.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Aprendizados de uma viajante




Viagens. Desde criança sabia que queria viajar. Agora, olhando em retrospecto, percebo que já visitei alguns lugares com que sempre sonhei e alguns outros que eu nem imaginava que colocaria meus pés. E sonho com tantos outros, especialmente com aqueles que têm maior potencial de me ensinar algo. Porque para mim, viajar é isso, é aprender. Aprender com um mundo novo, diferente, com outra forma de viver, com o passado e com a observação. E se sentir grato. Grato pelos lugares que se está tendo a oportunidade de ver com os próprios olhos e por ter consciência suficiente para compreender o quão maravilhosa e especial é essa oportunidade.
Nas minhas andanças pelo mundo, aprendi e observei algumas coisas que me fizeram mudar alguns conceitos. Sobre isso que quero escrever hoje.

Hostel como estilo de vida. Sem dúvida um ponto polêmico. Acho tão engraçado o estranhamento em muitas pessoas quando digo que sempre me hospedo em hostel! As pessoas, especialmente brasileiros, acham muito estranho ter que dividir quarto e banheiro com estranhos. Eu não vejo problema, até me divirto dizendo que já fiquei em quarto com quatorze camas! É uma maneira barata para se hospedar, especialmente viajando sozinho (e não, Airbnb não é mais barato para um viajante sozinho e algumas vezes nem mesmo para duplas). Eu já fiquei em muitos hostels, alguns melhores e mais limpos, alguns um pouco piores, a grande maioria com excelente localização, nunca fui roubada, nunca passei por nenhum problema grave. Muitos hostels são tão divertidos, tem bares dentro do próprio hostel, o que é muito conveniente quando se está só, e excelentes áreas comuns com bons sofás e decorações bonitas. O principal objetivo de optar por um hostel é sim economizar claro, mas não me imagino mais em outra forma de hospedagem, pois eu realmente gosto do estilo. E acho minimalista de certo modo. Tudo o que precisamos depois de um longo dia é uma cama, não de um quarto inteiro só para si. Tem que se adaptar, esquecer o nojinho de utilizar um banheiro comum (na Europa, muitos hostels tem banheiros dentro do próprio quarto, em outros lugares pelo que observo, o mais comum são banheiros no corredor), mas é tão divertido essas desconstruções, abrir mão do que não é essencial quando se está viajando. E sim, geram histórias. Tenho algumas histórias dos hostels por onde passei.

Apreciar museus. Uma das minhas primeiras experiências realmente marcantes em museus foi no MASP, o museu de arte de São Paulo. Lá está o meu quadro favorito na vida: Criança Morte do Portinari. Passei muito tempo admirando esse quadro que para mim é absolutamente perfeito. Nunca esqueci dessa sensação e passei a valorizar bastante a possibilidade de visitar museus. É uma das primeiras coisas que vejo quando estou planejando uma viagem: quais museus eu quero visitar. Muito grata por ter visitado alguns.

Compreender a solidão. Ela não é necessariamente ruim ou triste. É apenas parte da vida. Passei a entender melhor a necessidade de conviver comigo mesma, aceitar minha própria companhia como a única que de fato estará sempre presente. Tenho certeza de que muitas aventuras, muitas histórias e muitos aprendizados virão. E eu vou respeitar muito mais e aproveitar muito mais se estiver sozinha para vivenciá-los. Lembro de caminhar pelas ruas explorando uma cidade nova e observando o lugar e os ruídos especialmente feliz por estar sozinha, com meus sentidos atentos à experiência única e me sentindo leve por estar só, apenas comigo mesma. É uma sensação difícil de descrever - gostaria que tivesse um nome - mas dá uma consciência incrível sobre o próprio ser, seu espaço no mundo e o lugar em que se está.
Ainda, uma das melhores experiências da minha vida foi visitar Pompéia, a cidade devastada pela erupção do Vesúvio em 79 d.C na Itália. Era um dia lindo de inverno com sol e um céu azul maravilhoso. Percorri por horas as ruínas, aproveitando as explicações do valioso áudio guia, no meu ritmo, tirando fotos, apreciando cada passo, maravilhada e feliz. Havia muitos outros turistas no local, mas eu estava sozinha e foi maravilhoso me concentrar inteiramente naquele momento impar da vida. Me senti muito grata esse dia, pois lembrava perfeitamente da primeira vez que li, em um livro de ciências da escola, sobre Pompéia e o Vesúvio e ali estava eu, percorrendo o lugar com meus próprios pés. Até hoje quando me lembro dos meus passos, das ruas que percorri, do céu nesse dia, do silêncio, meu coração vibra.

Se apaixonar por desertos. Sou fascinada por desertos. O pequeno príncipe estava absolutamente certo quando disse: “Eu sempre amei o deserto. A gente senta numa duna de areia. Não se vê nada. Não se ouve nada. E no silêncio alguma coisa irradia.” É a definição perfeita. Meu lugar favorito no mundo, seja que deserto for. É o céu mais maravilhoso que se pode ver, seja de dia ou a noite e o silêncio, a quietude, a sensação de infinito, é incrível. Acho que viajando descobrimos estas paixões desconhecidas.

Se aventurar sem medo. Exceto por países em guerra, conflitos ou situações realmente críticas, agora creio que é possível ir para qualquer lugar sozinho com algum planejamento. Nada é impossível, tudo dá para aprender. Mesmo aquelas cidades enormes, mesmo países com idiomas muito diferentes, mesmo se o transporte público for muito complexo, mesmo se for um lugar mais isolado, é possível pesquisar o suficiente para se virar. Costumo brincar que onde quer que se pretenda ir, algum brasileiro já foi antes e já escreveu a respeito na internet! Há muita informação disponível, muitas dicas, sobre o melhor período para ir, os melhores lugares para visitar, o que e onde comer, como usar o transporte, como chegar, como sair, onde se hospedar. Basta ter discernimento para escolher o que vale a pena, o que está de acordo com o que se gosta e se quer, enfim, fazer uma leitura crítica da imensa variedade de informação disponível e separar o que é útil. Alguns lugares podem exigir um pouco mais de coragem claro, acho que começar por destinos mais fáceis é sim uma boa estratégia, mas a viagem dos sonhos sempre é possível.